sábado, 13 de novembro de 2010

Gestão de Ambientes Virtuais de Aprendizagem - FIO



GESTÃO DE AMBIENTES VIRTUAIS DE APRENDIZAGEM
. Docente:
Profº. MSc. Gilson Aparecido Castadelli
Mestre em Tecnologia da Informação e Comunicação na Formação em Educação a Distância - Universidade Federal do Ceará em Parceria com Universidade Norte do Paraná - 2009
Especialista em Metodologias Inovadoras Aplicadas à Educação: Educação a Distância – Facinter-PR - 2004
Especialista em Desenvolvimento de Softwares para Web – FEMA/UFSCar-SP - 2002
Tecnólogo em Processamento de Dados – FEMA-SP – 1993
Atuação como:
Docente do Ensino Superior e Coordenador Geral da Pós-Graduação das Faculdades Integradas de Ourinhos

. Objetivos:
  • Capacitar os participantes do curso como gestores de ambientes virtuais de aprendizagem.
  • Administrar salas virtuais com foco: O Básico do design instrucional;
  • Gerenciar conteúdos e criar situações de aprendizagem utilizando recursos e atividades existentes nas Salas Virtuais
  • Fazer uso de ferramentas livres da categoria Gerenciadores Virtuais de Aprendizado (Moodle).
. Conteúdo Programático:
Unidade I – Fundamentação Teórica: Uma contextualização necessária
  • O que é tecnologia;
  • O uso das tecnologias da informação e comunicação;
  • EaD: Novos Tempos, Novos Cenários e Novas Práticas;
  • Conceito de EaD.

Unidade II – Elementos Essenciais para EaD
1.   Mudança de Paradigmas;
2.   Definindo Papéis: Conceitos de Tutor/Orientador Acadêmico e Tutoria, Professor    Especialista;

  • O Plano de Ensino;
  • O Guia Didático;
  • A Produção Materiais Didáticos;
  • O Sistema de Avaliação da Aprendizagem em EaD;


Unidade III – O Uso dos Recursos Tecnológicos — Experimentação: planejando, criando, produzindo e analisando.
  • Entendendo um ambiente Virtual de Aprendizagem : Proprietário X Livre
  • Levantando os recursos tecnológicos necessários para a implantação de um Ambiente Virtual de Aprendizagem;
  • Instalando o Software: Conhecendo os princípios do Moodle;
  • Gerenciando os recursos administrativos do Moodle;
  • Administrando Turmas e professores;
  • Utilizando os recursos do Moodle para a produção de aulas virtuais;
  • Mesclando os Diversos Saberes

. Metodologia
Aulas expositivas;
Seminários;
Problematização;
Uso de Ferramentas de Comunicação via Web - AVA
Atividades no Laboratório: Pesquisas Web, Uso do Ava, conectividade.

Ainda na ação metodológica serão realizadas as seguintes atividades:
  • Aulas expositivas dialogadas por meio do sistema de seminários;
  • Discussões à distância com uso de Ambiente Virtual de Aprendizagem (Fórum, Chat e portifólios virtuais);
  • Leituras crítico-reflexivas e utilização de diversas mídias que garantam a comunicabilidade durante o curso;
  • Exploração de Sites, comunidades e ambientes virtuais de aprendizagem;
  • Levantamento bibliográfico sobre pesquisas na área de linguagem e comunicação em Tecnologia de Informação e Comunicação;
  • Análise Fílmica sobre temas pertinentes à disciplina;

Será utilizada a metodologia da problematização durante a realização das atividades visando promover uma aproximação do aluno com o contexto de sua realidade.
. Avaliação
O aluno será avaliado por meio dos seguintes instrumentos:
  • Participação crítico-reflexiva em Ambiente Virtual de Aprendizagem por meio de Fóruns, Chats e Portifólios;
  • Análise e auto-avaliação por meio de portifólios, do desenvolvimento e evolução de sua autonomia no decorrer do curso;
  • Participação efetiva em Seminários Presenciais Conectados;
  • Avaliação e Individual de aproveitamento do conteúdo da disciplina;

. Pré-Requisitos:
Conhecimentos Básicos de Informática, Navegação Web, Manipulação de Arquivos no Ambiente Operacional (Windows), Noções de Aplicativos Básicos (Word, Excel, Power Point);

. Público-Alvo:
Educadores em Geral e demais Profissionais da Área de Educação

. Material Didático:
Apostila Digital do Moodle em Português e Ambiente Virtual de Aprendizagem para troca de saberes na prática.

.Carga Horária Total:
40 horas/aula.
Distribuição do Curso em: 03 meses;
05 Encontros Quinzenais de 8h;

. Total de Vagas:
            Mínimo de 15 vagas.

. Local e horário do curso
            Faculdades Integradas de Ourinhos
            Sábados (Manhã e tarde)


. Valor do Curso:
O valor total do curso a vista para alunos das FIO é de R$ 150,00 e outros R$ 200,00, que podem ser divididos em duas parcelas: a primeira no ato da matrícula e a segunda para o mês subseqüente ao início do curso. A matricula deve ser feita na Secretaria de Pós-Graduação, sala 510 ou no período noturno na Secretaria Geral.

Mais informações pelo site das FIO: www.fio.edu.br
Incrição online:

E - mail: posgraduacao@fio.edu.br

Considerações de ensino e apredizadem virtual


Compreendida como fato social, a Educação não está descolada da realidade material e subjetiva que a gera e lhe confere especificidade. Nesse sentido, o desenvolvimento de relações sociais de novo tipo, promovidas e propiciadas, sobretudo por transformações que se operam na base material de vida e conseqüentemente nas novas configurações de poder, resultam na necessidade de desenvolvimento de processos educativos novos.
É assim que as novas tecnologias da informação e da comunicação, e especificamente o ciberespaço, com as possibilidades que encerram, adquirem importância fundamental e merecem destaque em qualquer reflexão que venha a ser feita sobre a importância e as demandas para uma educação na atualidade, uma vez que, estas já vêm  sendo amplamente utilizadas em diversos setores da  cultura contemporânea, correspondendo, portanto, o importante elemento constitutivo da base histórica sobre a qual se desenvolve o que vem sendo conhecida como sociedade da informação.
A professora Paiva (2002) apresenta a seguinte reflexão:
“Estamos imersos na era das redes digitais hipervelozes, que disponibilizam incessantemente, informações de acesso imediato, em uma ambiência de usos partilhados e interatividades. Os fluxos infoeletrônicos reconfiguram o campo da difusão simbólica, seja em decorrência da brusca aceleração tecnológica, seja pelas modalidades dialógicas que se manifestam.”
A questão das novas tecnologias e conceitos como saber flexível, aprendizagem cooperativa, interdisciplinaridade, transdisciplinaridade, currículo integrado, redes de aprendizagem e educação continuada e à distância começam a se fazer cada vez mais presentes nos ambientes acadêmicos e políticos, sobretudo quando está em pauta a discussão sobre a necessidade de renovação dos processos educacionais.
“Trabalhar hoje equivale cada vez mais a aprender a transmitir saberes e produzir conhecimentos.
(...) o ciberespaço suporta tecnologias intelectuais que ampliam, exteriorizam e alteram muitas funções cognitivas humanas. (LEVY ,1999)
Nesse sentido, ainda nas palavras do autor, torna-se imperativa a adaptação dos dispositivos e do aparato do aprendizado aberto e à distância no cotidiano e no ordinário da educação e a criação de um novo estilo de pedagogia que incorpore as novas tecnologias e favoreça, ao mesmo tempo, os aprendizados individualizados e o aprendizado coletivo, em rede.
Não se debate, portanto, a importância da discussão em questão no âmbito deste trabalho, ou seja, o estudo sobre as comunidades de trabalho/aprendizagem em rede. A inter e transdisciplinaridade, tão requisitadas pelas necessidades impostas na atualidade pelo modo de produção hegemônico típico da sociedade contemporânea, demandam e estimulam o saber construído coletivamente e a construção de redes e comunidades de trabalho. As novas tecnologias da informação e da comunicação (NTIC) e o ciberespaço apenas as viabilizam e potencializam se utilizadas adequadamente em um contexto pedagógico.
O uso das novas tecnologias da informação e comunicação (NTIC) encerram potenciais e limites e conferem singularidades específicas se aplicadas ao ensino presencial ou à distância  e suscitam uma longa discussão quando analisadas em relação a uma ou a outra modalidade de  ensino. A sua utilização, portanto, encerra a necessidade de construção de um modelo pedagógico que dê suporte à implementação de projetos. Estas duas modalidades tendem a ser complementares, uma vez que, cada uma delas, por si só, encerra também potenciais e limites.
No entanto, o uso das NTIC amplia as possibilidades do ensino à distância  e  podemos acreditar, que, pelas possibilidades que oferecem em termos de superação das   barreiras impostas pelo tempo e espaço, sua utilização, em um futuro não muito distante, tenderá a superar a presencial, principalmente pela abrangência que vem sendo almejada  pelos projetos institucionais, que têm buscado, cada vez mais, a conquista de mercados que se definem para além das fronteiras nacionais.
Deter-nos-emos, portanto, no âmbito do presente trabalho, a uma breve reflexão sobre a constituição de comunidades de trabalho e aprendizagem em rede em sistemas de educação à distância que utilizam a Web como suporte tecnológico e seus potenciais para responder às demandas e desafios postos pela sociedade contemporânea.
Compreendemos aqui como comunidade virtual de aprendizagem em rede, os grupos que se constituem em ambientes virtuais estruturados com funções pedagógicas explícita e normalmente definidas e que lançam mão das ferramentas de informática on-line disponíveis para a promoção da aprendizagem.
As possibilidades de utilização das novas tecnologias da comunicação em projetos educacionais à distância a partir da interconexão pelo universo on-line são ilimitadas. No entanto, no momento, ainda variam segundo duas abordagens básicas a depender da concepção de educação que fundamente a respectiva proposta pedagógica. Utilizaremos aqui, a tipologia proposta por D. JONASSEM (1996), que qualifica dois tipos de abordagens: a objetivista, que prioriza e persegue a potencialização ao acesso à informação que os novos  meios encerram, ou a abordagem construtivista, que prioriza e define a utilização dos meios como possibilidade de ampliação dos sistemas de interação e a construção gradativa da autonomia do aprendiz.
Reconhecemos aqui a fragilidade da tipologia proposta para o fim que almejamos, tendo em vista o fato de que esta não suporta a existência de variações que correspondam a modelos  intermediários, que mesclem elementos das duas abordagens. No entanto, teremos as duas aqui como "tipos ideais" que deverão servir para evidenciar as implicações e riscos da adoção exclusiva de cada uma delas.
Segundo a abordagem objetivista, na definição da estratégia pedagógica a ser utilizada em um projeto educacional que incorpore as novas tecnologias da comunicação e da informação, a ênfase permanece no processo de transmissão de conteúdos previamente estabelecidos, no qual a tecnologia apenas otimiza e potencializa o acesso a estes. Embora a adoção desta abordagem não implique, necessariamente, o desprezo da experiência vivida, o conhecimento é concebido como algo pronto e que , portanto, recomenda a criação de formas para que esteja cada vez mais acessível.
A utilização da Web como suporte tecnológico, assim como a constituição de comunidades de trabalho/aprendizagem em rede, segundo essa concepção, é importante principalmente por potencializar o acesso a esse conhecimento.Os projetos que se fundamentam nesta abordagem, geralmente, tendem a oferecer os conteúdos de forma previamente estruturada de maneira a dar seqüência ao processo de aprendizagem a partir do oferecimento do suporte tecnológico ao aluno .
A adoção desta abordagem implica mudança significativa no processo educacional na medida em que redimensiona o papel do professor no processo pedagógico. No entanto a questão da promoção de maior autonomia por parte do discente deve ser vista com cautela, uma vez que, a ênfase do trabalho recai sobre a tecnologia e as possibilidades ilimitadas que  estas encerram e não na promoção de uma mediação pedagógica qualificada especificamente para este fim. Embora não se despreze e até possa ser ressaltada a importância da experimentação e da colaboração entre os pares para a promoção e consolidação do processo de aprendizagem, este não se constitui no foco principal do processo.
Nestas circunstâncias, nos parece que o uso das novas tecnologias em projetos educacionais à distância em nada contribui para uma mudança qualitativa substancial em termos de modelo educacional e práticas pedagógicas vigentes, sendo estas utilizadas apenas para potencializar características já existentes em modelos anteriores. O acesso a um número maior de informações e a autonomia que o aluno possa vir a conquistar em relação à figura do professor, não implica necessariamente desenvolvimento de competências e habilidades suficientes e necessárias para interagir e explorar os novos potenciais em termos de aprendizagem postos pela sociedade contemporânea.
A segunda abordagem, a construtivista, ressalta o potencial das novas tecnologias para a promoção do processo de interação entre os discentes e destes com os professores, considerados fundamentais, segundo esta abordagem, para a realização da aprendizagem.
Segundo esta concepção, o conhecimento é uma construção humana de significados, que se dá ancorado no contexto em que as pessoas aprendem e que se opera a partir do estímulo causado pelo desejo ou necessidade. Sendo assim, o processo de aprendizagem verdadeiramente significativo, ou seja, que atribui e adquire significado, é individual e, o conhecimento não pode ser transmitido, na medida em que se dá a partir de um processo de construção independente em cada pessoa e pode ser otimizado em situações de trocas e de experimentação, a proporção que adquire significado compartilhado socialmente.
Levando em consideração as características de uma aprendizagem significativa (ativa; construtiva; reflexiva; colaborativa; intencional; contextual; etc.), as novas tecnologias adquirem importância na medida em que permitem a reconceitualização de projetos educacionais à distância a partir da superação dos limites à interatividade impostos pelas tecnologias anteriores como o rádio, a televisão e o vídeo, permitindo a concepção e operacionalização de projetos pedagógicos que tenham a abordagem construtivista na base de sua fundamentação.
Frente ao uso das novas tecnologias, o redimensionamento do papel do professor,  segundo esta abordagem, avança não no sentido do seu descarte, mas da transcendência do papel de mero transmissor de conteúdos, rumo à sua transformação em facilitador e estimulador do processo de aprendizagem.
Assim, a incorporação das novas tecnologias a projetos educacionais à distância  suportam duas possibilidades de leitura: potencialização do acesso à informação e ampliação das possibilidades de interação, colaboração e autonomia do aprendiz.

MEC estimula o uso das TICs


A representação da Unesco no Brasil, em parceria com o Ministério da Educação (MEC), iniciou os debates da conferência internacional “O Impacto das Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) na Educação”. O objetivo do evento é avaliar como essas ferramentas têm sido trabalhadas no contexto escolar dos países da América Latina e do Caribe, além de discutir métodos para a formação de professores.
Na abertura do evento, o secretário de Educação a Distância do MEC, Carlos Bielschowsky, apresentou as metas do governo em relação ao uso das TICs nas escolas. Segundo ele, o ministério quer promover a alfabetização digital de toda a população pobre, estimular a autonomia dos estudantes e adotar novas estratégias para tornar as aulas mais divertidas.
O secretário mostrou um mapa do País para falar do Programa Banda Larga nas Escolas. Hoje existem no Brasil 42.688 escolas conectadas à internet, principalmente nos Estados do Sul e do Sudeste, beneficiando 24 milhões de estudantes. O governo pretende levar internet em alta velocidade à 64.800 escolas até o fim do ano.
Capacitação
Bielschowsky também ressaltou a capacitação de 340 mil professores de todo o País para usar os laboratórios conectados à internet. De acordo com o secretário, 40 mil estão fazendo um curso com 360 horas de duração, enquanto que a maioria (300 mil) passam por cursos de informática básica e de TICs na educação, entre outros.
Laptops educacionais
Sobre o programa federal Um Computador por Aluno (UCA), o secretário da Educação a Distância explicou que os primeiros testes foram feitos em cinco escolas de diferentes Estados. “A gente não saiu comprando 1 milhão de computadores. Começamos com calma porque é necessária uma capacitação forte não só dos professores, mas de toda a comunidade estudantil.” O MEC já comprou 150 mil computadores, que foram distribuídos em junho deste ano.

Habilidades de tecnologia que devem ser adquiridas pelos professores


Professores capacitados que usem a seu favor a tecnologia em sala de aula são requisito básico para qualquer escola moderna. Hoje, porém, não existe uma diretriz clara, no Ministério da Educação, sobre quais as habilidades específicas os educadores devem ter. Essa foi a opinião de alguns educadores presentes no primeiro dia da conferência internacional “O Impacto das Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) Educação”, evento cujo objetivo é debater o uso da tecnologia em sala de aula.
“Se essas competências existem dentro do MEC, elas não foram publicadas”, diz a consultora da Unesco Maria Inês Bastos. Parte do problema ocorre porque quem dá as aulas de capacitação para professores é a Secretaria de Ensino a Distância, em parceria com universidades. São os acadêmicos das instituições de ensino superior que definem o que cada professor precisa saber – nem sempre as competências são coincidentes e não existe uma regra geral.
“Em muitos dos cursos, o que se quer é que o professor aprenda a manejar ferramentas, como ligar o computador. Isso não é suficiente para usar na educação, para transformar a educação”, afirma Maria Inês, que apresentou no evento um estudo sobre a  formação de docentes para uso das TICs na América Latina e Caribe.
No futuro, isso pode acarretar dificuldades na avaliação do uso da tecnologia em sala de aula. Sem saber o que é cobrado dos professores, não é possível checar se a aprendizagem vem sendo beneficiada pelo uso das ferramentas. “A metodologia para avaliar será complexa. Seria mais fácil se as habilidades do professor fossem definidas pelo MEC.”
Para a professora da UFRGS Rosa Vicari, as competências, com a entrada da tecnologia, estão em fase de transição – tanto as exigidas dos professores como de outros profissionais. “Os currículos de Medicina estão bastante mudados. Hoje, médico tem que entender de robótica, para fazer cirurgias, e antes nada disso era necessário”, afirmou.  “O que antes era interessante para ajudar o aluno a ir para a universidade ou para conseguir um trabalho, hoje não é mais.”
A discrepância entre a formação dos professores – alguns desconhecem noções básicas de computação e outros já estão mais familiarizados  - também colabora para complicar uma avaliação homogênea. O programa Enlaces, do governo do Chile, foi apontado por educadores e professores como um exemplo a ser seguido sobre como pode funcionar definir uma lista de habilidades a ser cobrada dos professores.

CAPACITAÇÃOSegundo o secretário da Educação a Distância, Carlos Bielschowsky, 340 mil professores já foram capacitados para usar ferramentas tecnológicas em sala de aula – 40 mil em cursos de 360 horas de duração e a maioria (300 mil) em cursos de informática básica e de TICs na educação, entre outros.

Tecnologia acaba com giz e lousa



Surgida no século 19, a combinação entre giz e lousa não havia ainda achado rivais à altura para ser desbancada do posto de método educacional mais usado pelas mais diferentes correntes pedagógicas.
O computador, no entanto, já vem mudando isto. Se não completamente, muitas faces da educação deverão experimentar profundas mudanças com a introdução de tecnologias que prometem aproximar professores e alunos e oferecer um ambiente livre para que crianças e adolescentes tenham prazer em aprender.
Se não são todas as escolas que contam com micros em sala, muitas oferecem aulas tão multimídia quanto com mordomia ainda maior: o uso das lousas eletrônicas.
Em vez de apenas servir de base para os rabiscos de giz, as lousas eletrônicas oferecidas por empresas como Scheiner e ImagingMart são usadas para que professores e alunos interajam, por meio de canetas especiais, com o conteúdo projetado.
Além da interatividade, é possível conectar o aparelho ao computador, pois a maioria dos modelos tem portas USB, para que o documento criado na aula seja oferecido aos alunos pela internet, caso o professor tenha gostado do resultado final.
Mesmo com as vantagens, imaginar que lousas eletrônicas substituirão as convencionais em médio prazo ainda não passa de devaneio e até mesmo colégios “ricos” esbarram na questão do preço. Os modelos mais em conta saem, em média, por 10 mil reais, sem contar o custo de um projetor.
Para não depender dos modelos mais sofisticados e ainda manter seu projeto de equipar todas as salas, o Bandeirantes, colégio de São Paulo, vem implantando o sistema eBam, que digitaliza conteúdos escritos em quadros convencionais e pode transferi-los para computadores.
Atualmente, metade das lousas do colégio já são digitalizadas pelo sistema, com planos de integrá-la a todas as salas.
A maioria dos colégios ricos de São Paulo, porém, ainda emprega a lousa eletrônica apenas em aulas onde o apelo multimídia é também disponível para os alunos, o que explica a presença dos equipamentos em laboratórios de informática tanto do Dante Alighieri, como do Visconde de Porto Seguro, tradicionais escolas de São Paulo.

A tecnologia muda a função do professor na sala de aula


           O cenário é clássico: o professor entra sério na classe, quebrando a bagunça dos alunos.
           Com métodos formulados há séculos, e usados desde então, é do educador o papel de centro da aula: é ele que conduz a exposição de fatos, é para ele que os alunos se dirigem e é ele quem atesta se o estudante está preparado ou não.
          No século 21, esse papel está se transformando. A função do professor muda de detentor do conhecimento para guia das investigações dos alunos.
         "De modo geral, crianças entendem que o professor representa muito mais do que é encontrado na internet ou no livro-texto", O termo "pedagogia" designa o método usado ao desenvolvimento educacional de jovens como um todo, passando conhecimentos por meios determinados pelos próprios educadores.
         O que a tecnologia vem fazendo com a educação é aproximá-la do conceito de andragogia, onde quem determina o assunto é o professor, mas é o próprio aluno que decide os melhores caminhos a tomar.
       "O novo professor tem que estar preparado para deixar de ser o que apenas fornece informações e trabalhar para ser um orientador, aquele que ajuda a selecionar informações e sabe fazer articulações".
        Por mais que a internet traga milhões de referências sobre assuntos que o professor não domina, ele ainda é o profissional com experiência para indicar quais os caminhos deverão ser tomados.
       Portanto, os professores que não dominam a tecnologia, então, devem ficar preocupados com este novo cenário?  
      "Quem tem que ficar preocupado, na verdade, é quem dá a mesma aula há mais de 40 anos e acha isto normal.

Internet, Informação e Educação

Outro aspecto que pode confundir o educador é o discurso da necessidade da informação (colocado por Seymour Papert, e por alguns conferencistas de congressos de informática), que nos causa de inicio certa angústia ao concluirmos que a escola não tem acesso imediato à enorme quantidade de informação que é produzida diariamente no mundo.
"Meu Deus", o pobre professor tende a pensar, "estou desatualizado. Preciso de um computador para fazer tal trabalho inteligente para mim e meus alunos."

Dai é fácil concluir que a escola também está obsoleta, que a disciplina que ensina está desatualizada, que os livros são antiquados, etc. Em tais horas, devido ao sentimento de inadequação, não ocorre ao professor que o mais importante é o ato de pensar com determinadas informações, não o acesso indiscriminado a qualquer informação.
Claro que muito do acervo cultural da humanidade pode ser obtido através da Internet, em alguns casos de modo vantajoso, mas em outros com a possibilidade de usos que caracterizei antes como inovação conservadora.
Embora a Internet seja um recurso com muito potencial para determinadas atividades educativas, ela também pode ser mais um fator de colonialismo cultural, pois estamos recebendo a informação daqueles que tem condições de colocá-la nos computadores, reduzindo nossa presença e ampliando o alcance do poder de suas idéias, com todos os fatores associados do formato hiupertexto, da velocidade, de multi-representações.
Nesta ótica, é muito importante que coloquemos tais máquinas nas mãos de nossas crianças e adolescentes, porém sempre predominando o ato de educar, de examinar criticamente - numa atitude freiriana -, aquilo que está lá. Onde a sabedoria de um professor de uma escola rural, ou de um velho pescador da comunidade, pode ser mais importante para a formação da identidade da criança e para a sobrevivência da cultura do que toda a informação que é produzida diariamente nos lugares sofisticados do planeta.
Tal atitude não se coaduna com outra face implícita em alguns discursos sobre a Internet, defendendo a idéia de que as crianças sabem o que querem, que o mais importante é a curiosidade, a espontaneidade, o aspecto lúdico da aprendizagem.
Embora devamos perseguir o ideal de uma aprendizagem estimulante e auto motivadora - em salas de aulas ricas em recursos e com respeito à individualidade e espontaneidade do aprendiz - sabemos que além do prazer da descoberta e da criação, é necessário disciplina, persistência, suor, tolerância à frustração, aspectos do cotidiano do aprender e do educar que não serão eliminados por computadores.

A Inovação da Tecnologia na Educação



A presença da tecnologia na escola, mesmo com bons software, não estimula os professores a repensarem seus modos de ensinar nem os alunos a adotarem novos modos de aprender. Como ocorre em outras áreas da atividade humana, professores e alunos precisam aprender a tirar vantagens de tais artefatos. Um bisturi a laser não transforma um médico em bom cirurgião, embora um bom cirurgião possa fazer muito mais se dispuser da melhor tecnologia médica, em contextos apropriados. Outra distorção, associada ao conceito de inovação conservadora é o que Salomon & Perkins chamam de Rationale do Monte Everest ("porque está lá"), ou seja, a preocupação de professores em usar as tecnologias da informática no maior número possível de disciplinas e de conteúdos, uma vez que tudo hoje é feito com computadores. Vários autores reconhecem que os usos educativos das tecnologias da informação na última década - instrução assistida por computador (CAI), informações em rede, aprendizado à distância - foram embasados em métodos pedagógicos tradicionais: fluxo unidirecional de informações, tipicamente um professor falando ou comentando imagens para alunas e alunos passivos. O fato de se treinar professores em cursos intensivos e de se colocar equipamentos nas escolas não significa que as novas tecnologias serão usadas para melhoria da qualidade do ensino. Em escolas informatizadas, tanto públicas como particulares, tenho observado formas de uso que chamo de inovação conservadora,3 quando uma ferramenta cara é utilizada para realizar tarefas que poderiam ser feitas, de modo satisfatório, por equipamentos mais simples (atualmente, usos do computador para tarefas que poderiam ser feitas por gravadores, retroprojetores, copiadoras, livros, até mesmo lápis e papel). São aplicações da tecnologia que não exploram os recursos únicos da ferramenta e não mexem qualitativamente com a rotina da escola, do professor ou do aluno, aparentando mudanças substantivas, quando na realidade apenas mudam-se aparências.
A história da tecnologia educacional contém muitos exemplos de inovação conservadora, de ênfase no meio e não no conteúdo. Devido ao efeito dramático, sedutor, da mídia, em certos casos a atenção era concentrada na aparência da aula, tomando-se como algo "dado" o conteúdo veiculado, seja na sala de aula por transparências ou filmes, ou pela difusão ampla de conteúdos, através da TV, do rádio ou mesmo de livros textos cheios de figuras, cores, desenhos, fotos.
As disciplinas de fundamentação também não ajudavam muito, ao preconizarem princípios e leis gerais de aprendizagem e de ensino, sem focar a aplicação de tais conhecimentos em conceitos específicos e sem a pesquisa sobre o ensino de tais conceitos, que oferecesse ao professor indicadores da eficácia dos novos meios e modos de apresentar o conteúdo.
Assim, à primeira vista, impressionava o uso de transparências graficamente impecáveis, com recursos que podiam distrair o aluno espectador, principalmente quando o aprendiz não entendia ou não gostava do conteúdo.
Atualmente a inovação conservadora mais interessante é o uso de programas de projeção de tela de computadores, notadamente o PowerPoint, com o qual o espetáculo visual (e auditivo) pode tornar-se um elemento de divagação, enquanto o professor solitário na frente da sala recita sua lição com ajuda de efeitos especiais, mostrando objetos que se movimentam, fórmulas, generalizações, imagens que podem ter pouco sentido para a maioria de um grupo de aprendizes. A inatividade (física e mental) do aprendiz é reforçada pelo ambiente da sala, geralmente à meia luz e com ar condicionado. Como veremos mais adiante, tais tecnologias amplificam a capacidade expositiva do professor, reduzindo a posição relativa do aluno ou aluna na situação de aprendizagem.
Além do computador propriamente dito, outros artefatos de ensino vem sendo criados com a tecnologia da informática. Em uma de minhas aulas, um aluno-professor fez uma observação sobre um quadro de pincel que produz na tela do computador do aluno aquilo que for escrito pelo professor. A exposição pode até ser mais convincente no inicio, devido ao aspecto dramático, mas essencialmente não difere de uma aula tradicional. Outra variante é um quadro de pincel que, ao aperto de um botão, produz uma cópia xerográfica reduzida daquilo que foi escrito ou desenhado.
Quando analiso tais tecnologias nas minhas aulas, tenho observado reações espontâneas de professores que se impressionam, fazendo comentários tipo "que maravilha." Tais reações são indicadores da crença secular de um grande número de educadores, que ensinar é expor, embora possam dizer o contrário. Não quero com isso afirmar que tais tecnologias de exposição não são úteis. São sim, nas mãos de mestres criativos, dentro de contextos apropriados. Podem ser usados quando se deseje que o aluno não se distraia copiando detalhes, pedindo-se logo depois que ele ou ela trabalhe com o material impresso copiado do quadro eletrônico. Também podem facilitar a comunicação e a vida do professor, possibilitando criar transparências em pouco tempo, praticamente durante uma aula, para responder a dúvidas de alunos, quebrar a monotonia, preparar rapidamente material para aulas seguintes. Outro exemplo comum é a digitação de trabalhos escolares convencionais, dentro ou fora da sala de aula e sem a orientação do professor. Neste caso, a tecnologia pode até facilitar ou dissimular a cópia plagiadora de pedaços de enciclopédias, de páginas da Internet, de livros de texto e de materiais gráficos escaneados. Tais produções de alunos podem impressionar professores sem experiência de computadores, pelo aspecto gráfico esmerado dos trabalhos e pela extensão do texto (em alguns casos feitos por outra pessoa, algo mais difícil de ocorrer quando o professor conhece a caligrafia do aprendiz).
Mas tal tipo de artefato pode também ter efeitos contrários, gerando situações onde o aluno não precisa nem mais copiar - a coisa já vem pronta e acabada para se levar para casa e memorizar para a prova. Tal tipo de mídia pode também reforçar no aluno uma falsa sensação de ter aprendido a lição, pois tudo que o mestre escreveu está ali, gravado, do jeito dele, com os mesmos espaços, tamanhos, etc. Essa sentimento é ilusório, como todo mundo que já passou pela escola sabe. Alguns dias depois o aluno submete-se a uma prova confiante que aprendeu, e verifica que o conteúdo não foi assimilado segundo os objetivos (ou a avaliação) do professor. Como me disse uma vez um experiente professor de Química, há uma enorme distância entre a axila (onde o aluno coloca o caderno de anotações após a aula) e a cabeça.
Poderíamos comentar muitos outros exemplos de inovação conservadora no ensino. Tenho visto software educativos que apenas "penduram" mapas mundi em um telão ou no vídeo de computadores onde alunos sentam de modo solitário, pouco diferindo de similares pendurados nas paredes da sala de aula.
Outra prática trivial é a confecção de faixas e cartazes por programas monótonos de computadores. Antes, em formulário contínuo; atualmente, com impressoras coloridas que consomem caros cartuchos descartáveis de tinta, algo despropositado quando ocorre nas escolas que caracterizei antes. Tais materiais podem ser bem mais baratos, bonitos e criativos quando confeccionados com pincéis e papéis coloridos, com a ajuda de alunos talentosos (sem excluir, obviamente, o uso ocasional de tais programas gráficos). Um excelente exemplo de inovação conservadora encontra-se em um belo livro de Asimov, exibindo e comentando uma série de cartões produzidos por um desenhista francês no final do século passado, imaginando o que seria a sociedade do ano dois mil. Um dos desenhos representa uma escola deste final de século, com alunos sentados em fileiras com fones de ouvido, recebendo passivamente o conteúdo de livros que estão sendo "moídos" por um ajudante do professor. Há pouco tempo vi uma foto em uma revista semanal de educação, provando que o desenhista estava certo, ilustrando uma situação semelhante em uma escola paulista de elite, onde os alunos portavam óculos de realidade virtual em lugar de fones de ouvido.
Alguns professores experientes percebem que quase nada mudou na sala de aula, porém outros, talvez iludidos por um suposto efeito do computador, vêm vantagens nas novas formas de apresentar o conteúdo, algumas vezes reforçadas por um discurso defendendo o construtivismo ou outros conceitos da moda, pouco ou mal-compreendidos. Os alunos também cansam-se facilmente após o efeito da novidade.

História da Tecnologia Educacional



              Uma das principais referências nesta área é o trabalho de Larry Cuban [ii], professor de educação da Stanford University, intitulado Professores e Máquinas: O Uso da Tecnologia na Sala de Aula desde 1920. Cuban estudou a introdução do rádio, filme, TV e computador em escolas norte-americanas, abrangendo a literatura desde o início deste século até meados da década de oitenta.
               Ao tratarmos de novas abordagens de comunicação na escola, mediadas pelas novas tecnologias da informação, estamos tratando de Tecnologia Educacional. Esta observação é pertinente porque certos autores consideram este tema como algo inteiramente novo. Tudo tem uma história, explícita ou não, cabendo ao conhecedor crítico tentar desvendá-la, interpretá-la e usá-la para não repetir erros.
             Sua principal conclusão é que o uso de artefatos tecnológicos na escola tem sido uma história de insucessos, caracterizada por um ciclo de quatro ou cinco fases, que se inicia com pesquisas mostrando as vantagens educacionais do seu uso, complementadas por um discurso dos proponentes salientando a obsolescência da escola. Após algum tempo são lançadas políticas públicas de introdução da nova tecnologia nos sistemas escolares, terminando pela adoção limitada por professores, sem a ocorrência de ganhos acadêmicos significativos. Em cada ciclo, uma nova seqüência de estudos aponta prováveis causas do pouco sucesso da inovação, tais como falta de recursos, resistência dos professores, burocracia institucional, equipamentos inadequados.
            Após algum tempo surge outra tecnologia e o ciclo recomeça, com seus defensores argumentando que foram aprendidas as lições do passado, que os novos recursos tecnológicos são mais poderosos e melhores que os anteriores, podendo realizar coisas novas, conforme demonstram novas pesquisas. E o ciclo fecha-se novamente com uso limitado e ganhos educacionais modestos.
           Cuban nos mostra coisas interessantes, como o trecho de um discurso de Thomas Edison (inventor do telégrafo, do gramofone e da lâmpada elétrica), prevendo, em 1913, que os livros didáticos se tornariam obsoletos nas escolas e que, usando filmes, seria possível instruir sobre qualquer ramo do conhecimento humano. Em 1922, Edison ainda afirmava que "... o filme está destinado a revolucionar nosso sistema educacional e em poucos anos suplantará em muito, senão inteiramente, o uso de livros didáticos".
             Outros aspectos do trabalho de Cuban merecem reflexões amplas, como o discurso de pioneiros da tecnologia prevendo o acesso de todos os alunos - independente de condição social ou de escola - a materiais educacionais da melhor qualidade (hoje o discurso é sobre o acesso à informação pela Internet).Também nos mostra uma foto de uma aula "aérea" de Geografia, a bordo de um avião adaptado com fileiras de carteiras e um quadro de giz, paradoxalmente retratando uma turma de alunos sentados, com uma professora (tudo indica), ministrando uma aula convencional com um pequeno globo terrestre.
            Várias faculdades de educação de universidades públicas que estão ministrando cursos de especialização para os professores que irão atuar como multiplicadores nos Núcleos de Tecnologia Tducacional (NTEs) do PROINFO, não dispõem de laboratórios para trabalho com Informática Na educação. Finalmente, não existe uma política de apoio a pesquisas que façam acompanhamento e dêem suporte aos NTEs que irão formar os professores da escolas beneficiadas.

           Nossa utopia é sempre tentar mudar a história futura para melhor, e não defendo posições tradicionalistas ou contrárias à tecnologia na educação. Vejo as novas tecnologias como mais um dos elementos que podem contribuir para melhoria de algumas atividades nas nossas salas de aula. Por outro lado, também não adoto o discurso dos defensores da nova tecnologia educacional, que mostram as mazelas da escolas (algo muito fácil de se fazer), deixando implícito que nossos professores são dinossauros avessos a mudanças. É um discurso tentando nos convencer a dar mais importância a objetos virtuais, apresentados em telinhas bidimensionais, deixando implícito que a aprendizagem com objetos concretos em tempos e espaços reais está obsoleta.
             No Brasil percorremos uma história análoga, certamente mais recheada de insucessos, como demonstram teses e dissertações sobre o tema. Também tivemos uma política de rádio na educação, seguida de outras com grandes investimentos nas televisões educativas em todo o país, sempre acompanhadas de discursos inovadores.
             No início dos anos oitenta iniciaram-se as primeiras políticas públicas em informática na educação, no contexto mais amplo da reserva de mercado para informática. Nosso primeiro projeto de âmbito nacional priorizou a pesquisa, dotando cinco universidades públicas com verbas do Projeto EDUCOM, que não chegou a atingir muitas escolas, mas produziu um bom contingente de recursos humanos nas instituições beneficiadas. Foram bolsistas de pesquisa que hoje em boa parte são pesquisadores nos vários campos da educação, com trabalhos em Informática Na educação.
             Na época, a contradição entre tecnologia de ponta e escolas precárias era mais evidente, uma vez que os computadores eram máquinas mais caras e não estavam tão
disseminados na sociedade como hoje. Aprendemos que a expectativa de administradores, professores, alunos e pais era que se ensinasse informática na escola, não no sentido de uso pedagógico de computadores,[vi] [vii] nos levando a explorar a introdução da informática na escola como uma mistura de Informática Na educação e de preparação para o trabalho, tentando usos pedagógicos das ferramentas de software utilizadas fora da escola.
            Apesar de ter havido avanços, algumas falhas desta política já podem ser notadas, como a ausência de articulação com os demais programas de tecnologia educativa do MEC, especialmente com o vídeo escola, e com outros como educação especial. Também não foi contemplada a formação regular de professores nas universidades, principalmente aqueles que estão concluindo seus cursos e entrando no mercado de trabalho.

Tecnologia na sala de aula



 
             Inicialmente gostaria de fazer algumas breves colocações sobre a sala de aula que tenho em mente ao discorrer sobre a qualidade do ensino, sobre novos desafios, sobre novas abordagens da comunicação mediada pela tecnologias da informática.
            O contexto amplo, material e humano, em determinados tempos e espaços, não pode ser separado das discussões neste simpósio, sob pena de ficarmos falando sobre abstrações desenraizadas, longe das realidades que as condicionam, isolando nossas idéias "das coisas que as possuem".
            Penso na realidade cotidiana de grande parte das escolas públicas do nosso país e mesmo da América Latina. São as escolas onde situo minha experiência, nos estados do norte e nordeste e nas regiões rurais, que ainda sofrem de males consideráveis.
São escolas que servem a comunidades carentes que nem sempre as consideram como suas e que não dispõem do recurso tecnológico mais fundamental que é uma biblioteca atualizada razoável.
Nas grandes cidades, as salas de aula de tais escolas tem pouco espaço físico, são ruidosas, quentes e escuras, desencorajando qualquer outra atividade que não seja a aula tradicional. A arquitetura pobre e o mobiliário desconfortável e precário dificultam o trabalho intelectual de alunos e mestres. São instituições dependentes da administração central das redes escolares, em contextos de forte dependência da burocracia cristalizada e das oscilações de quem estiver no poder.
O professor encontra-se sobrecarregado com aulas em mais de um estabelecimento, falta-lhe tempo para estudar e experimentar coisas novas, recebe baixos salários. Em tais escolas tenho encontrado pessoas ensinando matérias que não dominam, como também casos incipientes de alcoolismo e um semi-absenteísmo camuflado, com o professor evitando sempre que pode a sala de aula ou fazendo de conta que ensina, em parte resultado de um esgotamento profissional prematuro.
Mas também em tais escolas aprendi a ter um profundo respeito pela grande maioria de professores e professoras que desenvolveram formas criativas de ensinar e de educar, construídas dentro das limitações e das condições existentes. À partir desta atitude de respeito, de aprendizagem mútua, tem sido possível experimentar novas abordagens, com alguns sucessos em meio a alguns fracassos.
Sei que esta situação está melhorando lentamente e que nos estados mais ricos (em recursos materiais e humanos) já existem muitas escolas e redes que não se enquadram na breve caracterização acima. No entanto, por dever de consciência, não posso tomar como referência os mais aquinhoados. Sei também que tais questões são complexas e que não existem soluções fáceis.
Algumas das idéias que irei colocar são fruto de minha vivência nas escolas e na universidade; outras estão inacabadas, mas acredito que compartilhando-as e colocando-as em discussão, poderão ser modificadas e aplicadas em situações diversas, uma vez que a escola como instituição possui características comuns muito fortes.